Procuradores da Lava Jato agiram como os haters da internet

Últimos vazamentos de conversas dos integrantes do MPF em Curitiba revelam ódio e desrespeito ao réu inadequados para o cargo

Por Chico Alves

Conversas de procuradores no Telegram mostram desrespeito ao ex-presidente Lula em momento de luto
Conversas de procuradores no Telegram mostram desrespeito ao ex-presidente Lula em momento de luto -
O mesmo avanço tecnológico que permitiu a popularização da internet, com todas as suas maravilhas e comodidades, teve como efeito colateral o surgimento de personagens altamente tóxicos: os haters. São pessoas que, sob o anonimato permitido pela grande rede, se animam a trazer a público os piores sentimentos do ser humano. Em comentários feitos nos sites ou redes sociais, destilam preconceito, exibem desdém pela dor do outro, praticam o sadismo,exercitam o mais puro ódio, como se os freios civilizatórios nunca tivessem existido.

Infelizmente, esse comportamento selvagem transbordou para a vida fora dos computadores e um exemplo disso pode ser verificado nos últimos vazamentos de mensagens trocadas pelos procuradores da Lava Jato, publicados em mais uma parceria entre o UOL e o The Intercept. Os diálogos revelam que, por trás da aparência de imparcialidade que mantinham em público, integrantes do MPF de Curitiba dedicavam a um dos réus o ódio visceral típico dos haters. O alvo dos comentários desrespeitosos, como se sabe, foi o ex-presidente Lula, por ocasião da morte da mulher, Marisa Letícia.

As frases já são bastante conhecidas e é difícil destacar a mais infame. Pode-se escolher qualquer uma entre as falas atribuídas aos procuradores Januário Paludo ("sempre tive uma pulga atrás da orelha com esse aneurisma" e "o safado só queria passear";), Orlando Martello ("amanhã morre o filho e vamos ter mais problemas") ou Roberson Pozzobon ("estratégia pra se ';humanizar';, como se isso fosse possível no caso dele rsrsrs").

É certo que, ao contrário dos xingadores cotidianos, os integrantes da Lava Jato destilaram seu fel em grupo privado. Mas tal clima de ódio está longe de ser o recomendável para o trabalho de servidores públicos que, em última instância, têm como missão colaborar com a busca da justiça. Difícil que eles convençam alguém de que suas acusações nesse caso não foram contaminadas por sentimento tão evidente nas mensagens publicadas.

Do time de procuradores flagrados, até agora a única integrante a se retratar foi Jerusa Vicelli ("preparem -se para a novela da ida ao velório"). A atitude, rara entre eles, deveria ser louvada. Afinal, não deve ter sido fácil para ela ir contra o sentimento de onipotência de seus pares, que nunca admitem erros. Jerusa, porém, tem sido vítima dos haters com sinal invertido. Ao pedir desculpas públicas, virou alvo preferencial de impropérios.

Não se sabe qual a cura para a atual epidemia de intolerância, mas um bom início de tratamento fazer com que as autoridades voltem a ter procedimento institucional. Para começar, devem abandonar de vez qualquer conduta abjeta, comum a alguns trogloditas da internet.

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