'O ideal é que todos os artistas se interessem por política', diz Daniela Mercury

Cantora ainda lembra que todo cidadão precisa se informar sobre cada assunto e ler várias fontes para ser consistente

Por O Dia

Daniela Mercury
Daniela Mercury -
Defensora do isolamento social e que o ideal seria que a classe artística se interessasse por política, Daniela Mercury conversou com a coluna, entre outras coisas, sobre a falta de apoio do governo ao projeto de Lei de Emergência Cultural, que deve ser votado nos próximos dias no Congresso.
Você acha que o artista, que antes de qualquer coisa é cidadão brasileiro, tem que se posicionar sobre assuntos políticos importantes?
Sim. O ideal é que todos os artistas se interessem por política e atuem em causas de interesse público e entendam o que está acontecendo no Brasil e no mundo para se manifestar sempre que for necessário. Mas como qualquer cidadão, o artista precisa se informar sobre cada assunto e ler várias fontes para ser consistente. E isso não é simples e demanda interesse, tempo e dedicação.
Você, durante a campanha eleitoral de 2018, se posicionou sobre os candidatos. Hoje, 2 anos depois, qual a posição da Daniella Mercury sobre o atual governo brasileiro?
Eu tenho acompanhado o dia a dia e vejo com tristeza e indignação o que está acontecendo. É inaceitável a forma como o presidente se comporta, agredindo a imprensa cotidianamente e apoiando manifestações contra os outros poderes. É chocante a falta de solidariedade e indiferença pelas vidas dos brasileiros mortos pelo Covid-19. Ele nega a ciência, as orientações científicas da OMS e não acredita no isolamento social como tem sido feito por governadores e prefeitos. O governo federal não tem protegido o que é mais valioso para os brasileiros: a vida, a saúde pública, a democracia e nem a economia! As crises constantes no governo são tão nocivas quanto a pandemia. O governo não entende a importância social e econômica da preservação da natureza, das florestas, das populações indígenas, ribeirinhas e quilombolas, não respeita a liberdade de imprensa, a diversidade, a ciência, a laicidade do Estado, os direitos dos trabalhadores, não respeita os artistas e a cultura, nem os pesquisadores, as universidades, os professores e alunos. Vejo que querem entregar nossas riquezas e vender empresas estatais estratégicas e produtivas. Na minha opinião, sem direitos humanos, sem justiça social, sem harmonia entre os poderes, sem apoio internacional, sem distribuição de renda, sem um Estado de bem-estar social, sem preservação ambiental, sem diálogo e sem a contribuição dos que pensam diferente dentro e fora do país, não há como o Brasil sair da crise sanitária, social, econômica, política e institucional que já estamos enfrentando.
Acha que artistas evitam se posicionar com medo de represálias?
Muitos artistas se manifestam diariamente, mas sem dúvida é uma situação delicada. Depende da autonomia, da independência, dos seus princípios e de sua capacidade de indignação. Em geral, nas democracias as pessoas que atuam pelas causas importantes são apenas uma parte da população.

Acredita que a Secretaria da Cultura não tem dado o socorro necessário à classe a qual representa durante esse período difícil da pandemia? Qual a sugestão que faria se pudesse aconselhar a atual secretária?
O governo acabou de vetar a ampliação do auxílio emergencial para abranger artistas desempregados, numa clara hostilidade à categoria, numa demonstração de omissão ou desprestígio da Secretaria. Deveria haver apoio claro ao projeto de Lei de Emergência Cultural que deve ser votado nos próximos dias no Congresso, por exemplo. Mas não vemos nenhuma ação efetiva da Secretaria em favor dos artistas e dos trabalhadores da área cultural.
Você acredita que o isolamento social ou lockdown são necessários e ajudam na diminuição da propagação do vírus?
Sim. Li muito e continuo a ler sobre o assunto e acredito que, se 83% dos países adotaram o lockdown, é o melhor a fazer. E provavelmente teremos que fazer isso já que o isolamento nos níveis em que está não está sendo o bastante para evitar o caos. Já está comprovado que a disseminação está ligada à mobilidade das pessoas, então é o temos que fazer. Acredito que se tivéssemos tido mais adesão da sociedade ao isolamento talvez a situação fosse melhor.

Você tem estimativa, até o momento, de qual o seu prejuízo durante a pandemia? Você acha que se atitudes federais tivessem sido tomadas logo no começo da pandemia, esse prejuízo teria sido evitado?
Estou tão preocupada com a saúde das pessoas que amo, da população do Brasil e do mundo que não consigo pensar em mais nada. Com saúde, depois de vencer a pandemia, a gente corre atrás do prejuízo econômico. Eu não acho que a atitude de qualquer governo pudesse evitar o prejuízo econômico diante dessa pandemia! Poderia até atenuar como tem atenuado em alguns países, mas não temos certeza de nada atualmente. Aliás, eu tenho convicção de uma coisa: a ajuda aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo ainda é tímida diante da real necessidade da população mais fragilizada. É preciso fazer mais.
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Daniela Mercury Célia Santos/Divulgação
02/03/2020 - AGENCIA DE NOTICIA - PARCEIROS - Bloco pipoca da Daniela Mercury, em São Paulo, neste Domingo (1). Leco Viana
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Daniela Mercury com a mulher, Malu Verçosa Reprodução/Instagram
Malu Verçosa com a mulher, Daniela Mercury Reprodução/Instagram
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Daniela Mercury em foto anitga Reprodução da internet

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