Silvio Santos vem aí...

O apresentador começou na televisão há 58 anos e acompanhou um mundo inteiro mudar: viu o rádio perder lugar para TV, está acompanhando a TV dar lugar para a internet e, apesar de não fazer parte pessoalmente, viu nascer o advento das redes sociais

Por O Dia

Retrospectiva de TV 7: Silvio Santos
Retrospectiva de TV 7: Silvio Santos -
Silvio Santos é um patrimônio da cultura brasileira. Isso é fato e deve ficar claro antes de se falar qualquer coisa do maior animador da TV brasileira. Ele começou na televisão há 58 anos e acompanhou um mundo inteiro mudar: viu o rádio perder lugar para TV, está acompanhando a TV dar lugar para a internet e, apesar de não fazer parte pessoalmente, viu nascer o advento das redes sociais. Silvio sempre foi um cara instintivo, movido pelo coração e por suas ideias. Ele nunca deixou diretores ou quem for passar por cima de suas convicções como ser humano.
Silvio passou por várias presidências e sempre se adaptou a elas. Chegou, inclusive, a pensar em ser candidato, mas pela pressão familiar desistiu do que poderia ter sido a melhor presidência do Brasil ou o fim de sua carreira de sucesso na TV. Silvio teve seus erros, porque errar é humano e talvez algumas pessoas esqueçam isso e só lembrem-se do mito.
Senor Abravanel construiu um império. Mais do que isso: uma grande família, pois não é de hoje que ouço pessoas que trabalharam na emissora elogiarem a postura do dono do SBT. Silvio impõe suas decisões na programação do canal, mas trata a todos os funcionários com educação e gentileza. Até mesmo aqueles que causam furacões em sua empresa ele tenta entender o que se passa, dá a mão e ajuda até onde pode. Silvio, volto a falar, tem um coração bom, mas também tem limites. Mas uma coisa é real: ele nunca foi vingativo com os que que cuspiram no prato que comeram.
Como empresário, sempre tentou superar as crises sem ter que demitir ou prejudicar seus funcionários. Perdeu o chão com os acontecimentos de seu banco, o Panamericano, mas apesar do turbilhão que passou, Silvio deu um jeito de ter o mínimo possível de prejudicados. Ele sempre entendeu que seu maior ativo em qualquer empresa são os funcionários e as 'colegas de trabalho' que o acompanham tanto no auditório quanto pela TV, estejam elas numa mansão ou num quartinho em uma comunidade carente. Silvio é para todos, fala com todos, comanda um grupo que precisa gerar lucro, mas também cede 24 horas de sua emissora para uma campanha social da AACD, onde tudo que o Teleton arrecada vai para ajudar na construção e manutenção de centros para crianças e jovens com alguma deficiência.
Com a pandemia, o animador viu-se preocupado com a situação do mundo e de suas empresas: mais uma vez seu maior ativo, funcionários e as colegas de trabalho, parecem estar ameaçados. Apesar de tentar manter o máximo possível a continuidade dos trabalhos inéditos, por segurança dos funcionários e por ordens dos agentes de saúde, teve que mandar a maior parte para casa, as colegas de trabalho estão tento que se contentar com reprises, o que não agrada o patrão. Iniciou-se uma corrida contra o tempo, até onde pôde o empresário não repassou a crise para seus funcionários. Fez do próprio bolso um aporte de dinheiro nas empresas, mas não foi o suficiente. Precisou, assim como muitos empresários, pedir ajuda ao governo. A redução de salário dos funcionários em 25% não é a vontade de Silvio, mas ele entendeu que para evitar demissões, era uma saída.
Silvio se excede às vezes e parte para a brincadeira ou comentários desnecessários. Isso não há como negar. Mas ele também quer sempre o melhor para aqueles que o tornaram o que é hoje. Ingratidão é algo que não pertence ao homem que, de camelô, virou um dos maiores empresários do país. Apedrejar é muito fácil, mas rever os feitos realizados até hoje... Isso é só para quem tem a gratidão dentro de si. O que estamos vivendo vai passar, nossas emissoras, jornais, rádios e todas as áreas vão se recuperar. E isso será só mais um capitulo na biografia de um vencedor: Silvio Santos!

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