Mari Ferrer - Reprodução Instagram
Mari FerrerReprodução Instagram
Por O Dia
Publicado 03/11/2020 15:43 | Atualizado 03/11/2020 16:21
Contamos aqui na coluna o caso da influencer Mari Ferrer que conta ter sido estuprada pelo empresário André Camargo de Aranha no Café de la Musique, em Florianópolis. Acreditem que apesar do ato em si só ser horripilante, um juiz conseguiu deixar tudo ainda pior. Que o Brasil é a republica da banana e a Justiça brasileira beira a piada pronta todo mundo já sabe, mas, pasmem, o juiz do caso aceitou a alegação do advogado do acusado, Claudio Gastão da Rosa Filho, que o acontecido foi um estupro culposo. Apesar de ser usada a palavra culposo, nesse caso jurídico, quer dizer que o acusado, Andre Camargo, não teve a intenção de cometer o estupro.
Em claras palavras, o acusado assume o crime, mas a Justiça aceita que ele não teve a intenção. Então eu, como mulher e mãe de uma menina, me pergunto: vamos ter que nos esconder em casa agora? Porque esse juiz está abrindo um precedente para que estupradores e criminosos sexuais usem essa alegação, QUE NÃO EXISTE NA LEI, para nos atacarem. O juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, homem, branco, aceita a alegação de outro homem, branco, o advogado Claudio Gastão da Rosa Filho, de que uma mulher foi violentada porque não tinha como André Camargo de Aranha, outro homem, branco saber que a vitima não estava em condições de decidir se queria ou não o ato sexual? Realmente o machismo nojento e brutal ainda impera em nossa sociedade e nosso único porto seguro, que deveria ser a lei, passa a mão na cabeça de quem erra e ainda assume o crime, usando de manobras para impedir que a Justiça seja feita. Vale lembrar que vestígios de sêmem do acusado foram encontrados nas calcinhas de Mari Ferrer, prova cabal de que o ato aconteceu.
Publicidade
Não satisfeito, o advogado do acusado ainda manipulou situações para que fotos da vitima fossem usadas para atentar contra sua honra e agora em vídeos trazidos a tona pelo The Intercept Brasil da sessão ficou claro o machismo ao qual a vítima foi exposta com as seguintes frases proferidas pelo advogado Claudio Gastão da Rosa Filho: "Jamais teria uma filha do seu nível, graças a Deus. E peço para que meu filho não encontre uma mulher que nem você". "Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo". Essas foram só algumas das falas do advogado do acusado e, apesar das várias tentativas de pedido por respeito vindas de Mari, inclusive dirigindo-se ao juiz da sessão, quase nada é feito pela parte que tinha autoridade na sessão, tendo o mesmo tido poucas atitudes para que os ataques desnecessários cessassem. Mari, às lágrimas, é obrigada a suportar tamanha humilhação numa audiência repleta por homens que com certeza não entendiam sua dor.
Vejam, minhas caras leitoras e também leitores: só no Brasil um acusado assume o estupro alega que foi sem querer e a vítima é que é julgada e humilhada. Brasil, um país de todos, mas que a lei funciona para só para alguns.