Caprichosos de Pilares tenta reverter rebaixamento para a Série E

Filiada a uma nova liga, agremiação quer voltar para Série B da folia. Carnavalesco Bruno de Oliveira pretende fazer críticas às queimadas na Amazônia no desfile e conta da amizade com o campeão Leandro Vieira

Por *Luana Dandara

Carnavalesco da Caprichosos, Bruno (à direita) ao lado de Leandro Vieira, campeão pela Mangueira
Carnavalesco da Caprichosos, Bruno (à direita) ao lado de Leandro Vieira, campeão pela Mangueira -
Rio - De volta ao Carnaval após dois anos afastada por conta de disputas políticas, a Caprichosos de Pilares enfrenta agora outra controvérsia: o grupo pelo qual vai desfilar. Rebaixada para a Série E pela Liga das Escolas de Samba do Brasil (Liesb), a agremiação argumenta ter sido injustiçada e vê em uma nova coalizão, a Liga Independente das Verdadeiras Raízes das Escolas de Samba (Livres), a possibilidade de desfilar na Série B. Criada por insatisfações com a Liesb, a Livres disputa a realização dos desfiles da Série B e alega ter o apoio de sete das 13 escolas que se apresentam na Estrada Intendente Magalhães.

"Vou lutar até o fim com a Livres. A Caprichosos foi impedida de desfilar por não ter ata registrada. Mas isso acontecia desde 2014, com outro presidente, e quando eu entrei a Liesb proibiu. Foi um critério de cunho pessoal, não tem outra explicação", argumenta o presidente da Azul e Branca, Carlos Leandro. A Liesb, por sua vez, defende já ter apresentado os documentos na Prefeitura do Rio que comprovam filiação da maioria das agremiações das séries B, C e D, 29 entre o total de 37.

Em uma reunião na segunda-feira, o prefeito Marcelo Crivella anunciou triplicar a verba para os desfiles da Intendente junto aos diretores da Liesb, um ato visto como a legitimação da liga nos bastidores da folia. "O valor de R$ 3 milhões fica com a liga que tiver o apoio da maioria das escolas da Intendente", destaca o presidente da Riotur, Marcelo Alves. Em nota, a prefeitura informa que reconhecerá a liga com o maior número de filiados de forma oficial. "A Riotur aguarda a entrega de documentação oficial até o fim da próxima semana".  

Segundo Carlos Leandro, caso a Livres não seja oficializada, ele tentará reverter a questão judicialmente. "Mas sem desfilar ela não fica, mesmo que seja no Grupo E, se a Justiça assim entender". E apesar desse imbróglio atrapalhar o início das atividades da escola de Pilares, o carnavalesco Bruno de Oliveira, de 32 anos, indicado pelo atual campeão Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira e da Imperatriz, já começou a idealizar o desfile e promete um grande trabalho.
Em 2020, a Azul e Branco vai reeditar o enredo de 1979, 'Uruçumirim, paraíso tupinambá. Na foto, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Maura Leal e Paulo Barbosa - Ricardo Cassiano/Agência O Dia
"Sei da responsabilidade, do tamanho que a escola tem, da importância para o bairro. E quero colocar a Caprichosos no lugar que ela sempre esteve e merece, no Grupo Especial", afirma o profissional. Ele começou na folia em 2006, como assistente e figurinista de carnavalesco.

Crítica ao fogo na Amazônia

Em 2020, a Azul e Branco vai reeditar o enredo de 1979, 'Uruçumirim, paraíso tupinambá'. "Se encaixou com o tamanho da escola, é de fácil leitura e pensamos na questão financeira. A Mangueira tinha materiais de estética indígena para doar do desfile passado, foi levado em conta o reaproveitamento", explica Bruno. A marca irreverente da Caprichosos virá no fim do desfile, em uma crítica às queimadas na Floresta Amazônica. "Quero levantar a bandeira da preservação do povo indígena e da demarcação de terras. Chegou nossa vez de cuidar do que os índios lutaram para deixar para a gente".
"Quero colocar a Caprichosos no lugar que ela sempre esteve e merece, no Grupo Especial", afirma o carnavalesco Bruno de Oliveira. Será o primeiro desfile assinado por ele - Divulgação
O profissional, que já passou por escolas como Mangueira, Viradouro e Salgueiro, auxilia ainda o carnavalesco Renato Lage na criação dos figurinos para a Portela. "O Carnaval é minha paixão de criança. Comecei a estudar por conta própria o desenho de figurinos de agremiações e com 19 anos entrei no meio", pontua. "Sempre tive o olhar para Caprichosos, conheço sua trajetória. A ficha ainda nem caiu que sou o carnavalesco, tem dias que nem durmo, respiro a escola de samba. Foi algo sempre desejado e veio no momento certo", completa Bruno.

Amizade com Leandro

Lançado como carnavalesco pela Caprichosos, em 2015, Leandro Vieira, detentor de dois títulos no Grupo Especial, se tornou um padrinho para a agremiação. "É uma escola que tenho um carinho gigante. O Bruno tem a paixão pelo Carnaval, é um figurinista de mão cheia e tenho certeza que vai fazer um lindo trabalho", detalha Vieira. "Me coloquei à disposição para se ele quiser me consultar, se precisar de sugestões. E consegui centenas de fantasias e esculturas dos desfiles da Mangueira e da Imperatriz. Quero muito ajudá-lo e vê-lo brilhar". Além das duas agremiações citadas, a Viradouro também doou materiais para a Caprichosos de Pilares.

A amizade entre os dois começou em 2012, quando trabalharam juntos na Imperatriz Leopoldinense. "Ele é uma pessoa muito presente na minha vida. Conhecemos a família um do outro, é meu amigo, mais do que o campeão do Carnaval. E Leandro me inspirou a aceitar esse convite, me orientou. Espero ter o mesmo sucesso dele", finaliza Bruno de Oliveira.

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Carnavalesco da Caprichosos, Bruno (à direita) ao lado de Leandro Vieira, campeão pela Mangueira Acervo pessoal
"Quero colocar a Caprichosos no lugar que ela sempre esteve e merece, no Grupo Especial", afirma o carnavalesco Bruno de Oliveira. Será o primeiro desfile assinado por ele Divulgação
Em 2020, a Azul e Branco vai reeditar o enredo de 1979, 'Uruçumirim, paraíso tupinambá. Na foto, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Maura Leal e Paulo Barbosa Ricardo Cassiano/Agência O Dia

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