Paraíso do Tuiuti está com trabalhos avançados, mesmo sem subvenção

Barracão da Paraíso do Tuiuti segue a todo vapor para apresentar enredo sobre o santo e o rei Sebastião

Por Luana Dandara

O carnavalesco João Vitor Araújo estreia no Grupo Especial: receita é
O carnavalesco João Vitor Araújo estreia no Grupo Especial: receita é "começar a trabalhar mais cedo para tudo se tornar mais barato" -

Entrar no barracão da Paraíso do Tuiuti é uma surpresa. Mesmo sem subvenção, a escola apresenta um dos conjuntos de alegoria e fantasia mais adiantados do Grupo Especial. E isso a menos de um mês para o desfile. O responsável pelo trabalho caprichado é o carnavalesco João Vitor Araújo, de 33 anos. Vindo da Série A, o profissional sabe bem o que é fazer Carnaval em tempos de crise.

"Estou confiante. O segredo é planejamento. Começando os trabalhos cedo, tudo se torna mais barato", ensina Araújo, que estreia na agremiação de São Cristóvão.

O enredo 'O santo e o rei: encantarias de Sebastião' era uma ideia guardada pelo carnavalesco e vai mostrar o encontro de D. Sebastião, rei de Portugal, com São Sebastião, padroeiro do Rio. "Depois que descobri que São Sebastião é o padroeiro da Tuiuti, tive a certeza do enredo. É um desfile para pegar no coração do componente", destaca.

Segundo Araújo, o que une as duas figuras é a mística data de 20 de janeiro. Nesse dia, no ano 286, São Sebastião foi flechado. Em 1554, D. Sebastião nascia. "É uma forma de homenagear São Sebastião a quem o rei de Portugal foi consagrado. Santo e rei, unidos em um só espírito, representam a busca do nosso povo pelo próprio rumo", compara.

Araújo avisa que um dos destaques do desfile será o abre-alas, com nove metros de altura, que representará o nascimento de D. Sebastião. E um dos artifícios usados pelo carnavalesco é a água, que no carro alegórico virá em um grande chafariz, ao lado de duas grandes esculturas do santo. "É uma visão abrasileirada desse nascimento, através da encenação da Folia de Reis", explica.

Carros alegóricos imponentes

No segundo setor, a Azul e Amarela vai representar a batalha de Alcácer Quibir, em que Dom Sebastião desaparece ou morre. O corpo nunca foi encontrado. "A alegoria é um grande areal do deserto do Marracos, um trabalho em texturização. É uma alegoria imponente, com uma iluminação primorosa, mas feita por meio de materiais baratos", conta Araújo.

Na quarta parte do desfile, com cores mais escuras, a agremiação vai tratar da lenda do touro negro coroado. Segundo a narrativa, em noites de lua cheia, Dom Sebastião aparece personificado como um touro que percorre as dunas do Maranhão. Assim, haverá um carro alegórico com quatro cabeças do animal.
Para o fim do desfile, cerca de 300 componentes vão sair 'em procissão' pela Marquês de Sapucaí. "A alegoria é um grande andor. É como se a comunidade carregasse esse carro. Fica nosso pedido para que Sebastião tire as flechas do peito da nossa gente", reflete Araújo.

 

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