A nova onda da educação

Frequento a Educar há cinco anos e, todos os anos, há alguma onda nova que toma conta da feira e de muitos dos estandes

Por Carolina Pavanelli

Bett Brasil Educar aconteceu em SP
Bett Brasil Educar aconteceu em SP -
Rio - Nos dias 14 a 17 de maio, aconteceu em São Paulo a Bett Brasil Educar, a maior feira de educação da América Latina, que reúne os maiores nomes do setor do Brasil e de fora, desde editoras e sistemas de ensino a palestrantes e congressistas. É uma excelente oportunidade para conhecer ou mesmo atualizar tendências, entendendo o que o mercado está enxergando como relevante em educação no momento e, em breve, estará em salas de aula por todo o Brasil (especialmente nas escolas particulares, que podem pagar por essas tendências bacanas).
Frequento a Educar há cinco anos e, todos os anos, há alguma onda nova que toma conta da feira e de muitos dos estandes. É o equivalente ao “tá na moda” em termos educacionais. No ano passado, por exemplo, a onda era bilinguismo. Só se falava sobre isso. Mesmo diretores e mantenedores que nunca pensaram em fazer de suas escolas ambientes bilíngues começaram a ver os muitos benefícios de trazer essa prática para crianças e jovens. Parte disso se dá pela real necessidade de se pensar e repensar educação constantemente, e o domínio da língua inglesa há muito não é simplesmente um diferencial no mercado de trabalho, mas hoje se tornou uma exigência primordial: saber falar inglês fluentemente é tão importante quanto qualquer habilidade técnica. Mas parte também se dá pela máxima que ficou famosa com Steve Jobs por outro contexto: as pessoas não sabem o que elas querem até que se diga a elas.
Funcionou em tecnologia e funciona em educação. Quando as mais importantes academias e pesquisas no mundo apontam as novas melhores formas de um aluno aprender, essa vira a nova onda de como ensinar.
Este ano, a onda é metodologia maker. A tal robótica, que virou a queridinha das escolas mais avançadas há cerca de cinco anos, deu lugar a uma abordagem mais ampla: o de usar a tecnologia – especialmente as mais simples – para resolver problemas do cotidiano. Isso não é uma invenção brasileira, tampouco uma novidade no mundo. Na Finlândia, por exemplo, qualquer escola tem uma sala de espaço maker, que conta com desde de ferramentas “antigas”, como martelos e serrotes, até máquinas mais modernas, algumas chegando até mesmo a ter impressoras 3D – isso em escolas públicas, é bom lembrar. Como aqui no Brasil a realidade é bastante diferente, as grandes editoras e algumas startups estão investindo em uma abordagem mais concisa da educação maker. No lugar de grandes espaços com essa abordagem, estão oferecendo materiais didáticos com ferramentais que possibilitem o “aprender fazendo” de uma forma mais divertida e em sala de aula.
A proposta pode sim ser muito interessante, desde que não seja o uso gratuito da tecnologia e tenha, de fato, um cunho pedagógico coerente e diferencial para os alunos. A aposta dos educadores, nesse sentido, é de que a metodologia maker supere a elaboração de experiências divertidas e passe a ser um instrumento de resolução de conflitos, que corrobore para estimular o senso de cidadania nos nossos jovens. Ofertas não faltam, tampouco a torcida para que dê certo e não seja, por fim, uma onda passageira.

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