Banda canta 'vou apertar, mas não vou acender agora' em evento do Batalhão de Choque

Polícia Militar diz que o grupo foi repreendido e a música foi encerrada

Por O Dia

Sede do Batalhão de Choque, na Cidade Nova, recebeu evento de motociclistas: música com polêmica
Sede do Batalhão de Choque, na Cidade Nova, recebeu evento de motociclistas: música com polêmica -
Rio - O vídeo de uma banda contratada para um evento de motociclistas, promovido pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, chamou atenção neste domingo por conta de música escolhida. A canção, tocada no momento da apresentação do grupo Mr. Vintage, foi "Malandragem dá um tempo", de Bezerra da Silva, que fala sobre o uso de drogas. As imagens foram registradas do lado de fora da sede da unidade, no Centro do Rio.
Segundo a divulgação do encontro, batizado de Rio Moto Choque, o evento contava com "shows de Rock das bandas Mr. Vintage, Old Sound e da banda da PMERJ, além food trucks, exposição de veículos militares, venda de artigos esportivos e sorteio de brinde", explica o convite publicado na página oficial do Batalhão.
As atividades começaram às 15h e terminaram por volta de 22h. Com entrada gratuita, organizadores do evento fizeram uma "motociata" ao percorrerem ruas do Centro do Rio e da Zona Sul. Segundo o convite, o objetivo era "conscientizar a todos sobre a importância da segurança no trânsito".
A Polícia Militar informou que logo no início da apresentação a banda foi repreendida pelos organizadores "pois o refrão da canção não condiz com os preceitos morais e éticos de um policial militar. Na mesma hora o vocalista interrompeu a canção", disse em nota. A banda interrompeu a música após o refrão.
Especialistas
O presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira, diz que não vê ilegalidade na situação. Segundo ele, a realização do evento condiz com o trabalho feito pelo Batalhão de Choque, já que há uma proximidade com os motociclistas. 
"Isso faz parte da polícia de proximidade, daquela que está perto da realidade do cidadão. É muito bom que  esses eventos sociais ocorram e que a corporação sedie esses encontros para quebrar a distância que existe com a sociedade" explica.
José Ricardo completa dizendo que não há razão para causar alarde sobre a música cantada no evento: "Não vejo imoralidade tendo em vista que essa música já faz parte da cultura brasileira. Não foi tocada por uma banda oficial da Polícia Militar. Os civis não são militares e devem se comportar como civis, desde que não cometam nenhuma ilegalidade", completou. 
Manoel Peixinho, advogado e especialista em administração pública, discorda. Segundo ele, a sede de uma unidade militar não deveria ser usada para este tipo de evento. Segundo ele, instituições públicas têm seus deveres a cumprir e não devem se fastar desse propósito, principalmente, quando abertas ao público: "É fundamental que o governador determine uma investigação, porque os quartéis não podem ser utilizados como espaços privados para festas, vendas de bebidas alcoólicas e outros temas não relacionados à finalidade", comenta. 
Ele explica ainda que quando ocasiões pedem uma formalidade ou atividade fora do dia-a-dia policia, deve ser voltado apenas à familiares de militares, pois existe um risco para todos, quando é levado em consideração a situação da violência no estado do Rio: "Não é possível que os quartéis fiquem desprotegidos. Ou seja, pessoas que ingressam nesses quartéis podem colocar em risco a integridade da tropa, dos policiais que estão ali. 
Sobre a música, Manoel Peixinho limitou-se ponderou: "Descabida e inconveniente com o ambiente militar". No entanto, acrescentou que "o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que há nesses casos livre manifestação do pensamento".
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários